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12 Setembro 2011
Mario Vargas Llosa e eu temos algo em comum! O dia 12 de junho de 1990 foi um dos dias mais tristes em nossas vidas. Ele não me disse isso. Concluí a partir da leitura de "Sabres e Utopias": Visões da América Latina (Objetiva, 2010). É que Llosa, por seu lado, desencantou-se com a sociedade peruana que não lhe deu crédito nas eleições presidenciais daquele ano, quando perdeu nas urnas para Alberto Fujimori. Cheio de ideias liberais, e, acreditando que poderia implantar uma democracia decente e livrar o povo das sanguinárias ditaduras, Vargas Llosa viu seu nome e reputação envolvidos nos últimos meses de campanha em mentiras sem fim. Inverdades que desvirtuavam suas propostas políticas e apresentavam-no como sonegador de impostos, cúmplice de assassinatos e até incestuoso. O dia 12 de junho de 1990 foi o dia do embarque para o exílio na Europa. Imagino que sentimentos como amargura e decepção tenham-no acompanhado durante o viagem. Talvez até tenha chorado. Nesse dia - ele conta, prometeu a si mesmo jamais envolver-se ou manifestar-se novamente sobre a política de seu país. Claro que o fez. Aqui pelos meus lados a coisa também foi séria. Nesse mesmo 12 de junho de 1990, também apurei meu descrédito. Como filha. Sem saída, traída por mim própria, calei e chorei a injustiça, o dedo apontado, os olhos esbugalhados, a falta do apoio e depois o nada. Se me coubesse essa possibilidade...Ah se eu tivesse coragem, também tinha virado as costas e me mandado para a Europa.
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